Longe de fazer uma comparação no estilo Freakonomics, o ponto em comum é o seguinte: sempre que acontece um acidente de avião você aprende alguma coisa sobre as peças do avião, nesse caso a que deu defeito e foi a principal causa do desastre - reverso, transponder, sondas pitot, sistema fly-by-wire (experimente pensar numa peça de avião que você não aprendeu por causa de um acidente, e que ao mesmo tempo não seja asa, bico, ou alguma coisa do tipo, pra ver o que sai). Do mesmo jeito, quem não é economista entende de economia o que já deu uma bosta grande: afaste-se dos subprime, a bolha da internet, os ponzi scheme são mais velhos que a fome e se a S&P rebaixou a qualificação dos títulos da dívida portuguesa é por que a coisa está feia.
A diferença é que se você ficar falando mal do reverso do Fokker-100 as pessoas não vão ficar preocupadas com eles e o rendimento vai piorar, a não ser que ele seja ruim de verdade. Mas se de ontem pra hoje os investidores começarem a se preocupar com a dívida da Itália, a dívida da Itália começa a dar defeito e derruba o avião. O Mercado se preocupou, o Mercado se irritou; é uma característica típica de física quântica, onde a observação de um fenômeno faz com que ele tenha que assumir um estado - se todo mundo está olhando a dívida da Itália é por que ela ou está boa ou está com problemas. E por que hoje, semana passada quando estava todo mundo falando da Grécia ninguém falava em Italia, mas agora que se "resolveu" o problema da Grécia, tem que arrumar problemas em outra península.
As vezes parece que estamos em 1984 de Orwell. Se as notícias dizem que a guerra é contra Eurasia, a guerra é com eles, e não com Eastasia. Provavelmente me faltam conhecimentos específicos de macroeconomia, mas eu não acredito nem concordo com o peso da influência que a especulação, o medo e a fofoca tem em coisas de verdade, como quantidade de gente desempregada, ou percentual de pessoas vivendo na pobreza.
Mas é irreal achar que essas coisas são lógicas, quanto mais que sejam justas.